Poder, Conspiração, Cinema

Por Inácio Araujo

 

conspiracao

Na minha escala de filmes de jornalismo investigativo, “Conspiração e Poder” ocupa o terceiro lugar.

Atrás, claro, de “O Informante” e “Todos os Homens do Presidente”. Fica à frente de “Spotlight”. E a lista acaba aí.

Fica à frente do Spotlight porque pelo menos os jornalistas agem como tal: querem dar furos, não estão lá para fazer o bem.

O caso é bem controverso. Uma repórter descobre algo desonroso na ficha militar do presidente Goerge W. Bush. O programa avaliza a descoberta. Partem para as comprovações.

Assim que o programa vai ao ar começam a aparecer as constestações, teria a repórter agido por interesse partidário? A comprovação dos documentos é frouxa etc.Daí para as redes sociais e para a desmoralização do programa em outras redes de TV é um pulo.

Segue-se o drama que todos podem imaginar: a estação caindo de pau na equipe; as tentativas de defesa e tal.

Passamos do problema jornalístico ao melodrama pessoal sem grande pudor. Até o pai malvado da repórter aparece. E malvado continua…

A visão é amplamente favorável à repórter, o que não é de estranhar: o filme é baseado no livro dela. Tudo é tratado como se, por trás da tremenda investigação que se abate sobre ela, estivesse o governo Bush.

Pessoalmente, não acho nada impossível.

E num filme você faz o que quiser. Ponto. Se quiser dar a entender que os Bush, em véspera de eleição, forçaram a barra de tudo que é jeito, pode dar. Não pode dizer, porque deve dar um processo daqueles. Mas a insinuação é livre. Acho.

Enfim: em relação ao Spotlight o filme ganha não só pela caracterização dos jornalistas como por encaminhar a história com habilidade, do grupo inicial de pesquisadoras, para os problemas pessoais da repórter e, secundariamente, de Dan Rather, o âncora da estação.

Ainda é pouco, com Cate Blanchett, Robert Redford e tudo.

Explica de certo modo porque o público do “filme de arte” anda desertando as salas.