Inácio Araujo

Cinema de Boca em Boca

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Inácio Araujo é escritor e crítico de cinema da Folha e autor de dois livros sobre o assunto: 'Hitchcock, o Mestre do Medo' e 'Cinema, o Mundo em Movimento', além de participar de diversas coletâneas.

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Oscar 2014

Por Inácio Araujo

oscar2014

Os filmes:

12 Anos de Escravidão

Parece previsível, nessa altura, a vitória de “12 Anos de Escravidão”, mas não me perguntem por quê. Me pareceu um filme quadrado, que joga fora aquilo que sugere de melhor, a saber: o protagonista, negro e músico, é basicamente um alienado. Está feliz com sua profissão e sua família. Em nenhum momento se manifesta contra a escravatura ou se preocupa com o destino de outros negros. Esses 12 anos são, pois, transformadores. O filme documenta a transformação inevitável, mas apara-lhe o peso: o melô é que triunfa.

Para ser franco, prefiro o Steve McQueen que chega na Faap e pergunta “mas onde estão os negros?” Faz mais sentido.

Nebraska

Filmes em preto e branco são em geral apliques, golpes para dar a impressão de coisa mais profunda. Não é o que acontece aqui. Extremamente sensível, delicado na observação dos personagens (amoroso mesmo), constrói pessoas críveis, existentes, coisa meio rara hoje em dia.

O Lobo de Wall Street

Já os personagens de O Lobo de Wall Street, em todo seu excesso, parece que não existem. O mais curioso é que existam, que Martin Scorsese tenha mesmo mitigado um tanto o que está na autobiografia do cara. Segue bem o princípio scorsesiano do cara mixaria que de repente se vê no topo e bota tudo a perder, como em Cassino e tantos outros.  Aqui, bno entanto, existe uma observação bem sutil, mas forte, sobre o capitalismo financeiro, sua natureza e modus operandi.

Ela

Me parece incrível como Spike Jonze se mostra capaz de investir em universos paralelos originais e, ao mesmo tempo, incapaz de sustentar sua invenção. Tinha sido assim em Quero Ser John Malkovich. É assim novamente aqui. À observação de um mundo de plena solidão, de solidão eletrônica, segue-se apenas a reiteração disso. Pena.

Capitão Phillips

Ok. Gosto do ator coadjuvante. Gosto do início, da descrição das condições de vida desses piratas tão ameaçadores, tão falados, mas que tal como o filme os vê não passam de uns mortos de fome. Mas essa força inicial não se sustenta. Outro dado interessante: o seqüestro só acaba porque o líder dos seqüestradores acredita na palavra dos americanos. E os americanos não têm palavra. Em suma, acho que não vai ganhar nada.

Trapaça

Gostei do filme anterior do O. Russell, O Vencedor (ou seria O Campeão?). Por que este se preocupa tanto em parecer Scorsese?  Não entendi. No mais, esse tipo de história em que  todo mundo engana todo mundo já está meio gasto, não está não?

Gravidade

A pretensão é sobretudo técnica. Mas há uma beleza incontestável nessas imagens, na tremenda solidão dos personagens (e dela mais ainda). Bom filme.

Philomena

A carta do melodrama mistura-se à do ataque ao catolicismo. Achei que fica um pouco cá e um pouco lá. Em lugar nenhum. Parece filme de encomenda.

Clube de Compras Dallas

Ainda não pude ver. Dizem que ganha melhor ator, porque ele emagreceu uma montanha. Os eleitores do Oscar gostam desse tipo de façanha.

Direção:

Eu gosto da do Martin Scorsese. Mas a de Alexander Payne em Nebraska está muito bem.

Ator:

Gostei de DiCaprio, mas Bruce Dern me surpreendeu. Está soberbo em Nebraska. Mas acho que ganha Matthew McConaughei  por Clube de Compra. E também é muito bom ator.

Atriz:

Tem como Kate Blanchett perder?

Coadjuvantes:

Minhas Preferências: Barkhad Abdi, de “Capitão Philips”, e Jennifer Lawrence, de “Trapaça”

Filme estrangeiro.

Só dois deles, mas esse filme franco-cambojano, A Imagem que Falta, é do barulho.

Injustiça:

Não sou um fanático dos irmãos Coen, mas Inside Llewlin Davis merecia melhor sorte. Mas eu entendo: filmes melancólicos não emplacam no Oscar. O Oscar é uma festa, afinal, vive disso e é bom que seja isso.

Até lá.

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